Fevereiro
Aqui volto, de quando em quando,
como se o tempo não passasse.
No ecrã tudo é presente,
o tempo, agrilhoado no significado,
a tudo parece indiferente.
Fevereiro, mês de mudança, fim do Inverno
sempre demasiado longo...
Os dias crescem, a natureza renasce
o amanhecer, a aurora, o prenúncio
de algo novo.
Fevereiro,
o mês suspenso.
Que me reservas, tu,
que tens para me mostrar,
onde me levas?
Limpa-se a borralha, recolhem-se as cinzas,
lentamente os sentidos despertam do
fim da hibernação, da letargia, do recolhimento.
Pudesse eu viajar, a qualquer momento,
brincaria com as estações,
desafiaria o ciclo da vida,
alheio a crises, ao pó e a cogitações.
Ficaria, assim, sorrindo,
apagando com um sopro a vela de mais um aniversário
que se avizinha.
Assim me quedaria, inerte,
contemplando o maravilhoso mundo,
o paraíso aqui e agora.
Nunca me sentiria só.
E eu, invisível, esquecer-me-ia de quem sou, faço, sinto ou quero,
não me julgando desse modo.
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