paulostress

Olá!

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Até ao fim

Lendo e relendo poemas passados
como neles se nota a tristeza!

Mais vale dizê-lo, simplesmente
a inventar bacocas metáforas.

A vida é mesmo assim
imprevisível e instável
sofrida e saboreada,
inquietante e reconfortante.

Mas uma coisa é certa, certinha
um dia virá, uma hora
em que tudo se verá com outros olhos
e o único lamento será, deveras
o de não o ter experimentado mais cedo
afastando desnecessários sofrimentos.

Não desistas, pá, não desistas
a clareira está perto, o oásis, a foz
E quando nela estiveres, descansa
porque amanhã,
outro desaire virá,
Mas se tu não a esqueceres, essa experiência
tudo o resto relevarás.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Setembro



O ano está quase a acabar, ou a começar,
termina o verão ou inicia o outono,
finda a gestação ou nasce a criação,
está calor ou frio, sol ou chove, 
visto a t-shirt ou a sweat-shirt,
vou para a praia ou para o campo,
ouço reggae ou indie-pop,
estou empregado ou desempregado,
sou professor ou aluno, produtor ou consumidor,
saio de mota ou de carro,
asso sardinhas ou castanhas,
leio ou escrevo,
procuro o pôr do sol ou o nascer,
deprimo ou imprimo,
procuro ou escondo, lembro ou imagino,
acredito ou não, crente ou ateu,
sinto ou estigmatizo, pressinto ou rotulo,
inovo ou retrocedo,afirmo ou desminto,
compro ou poupo, arrisco ou petisco,
esqueço ou lembro, faço ou digo,
sou ou não sou?
Que és, setembro, que és,
virgem ou depravado, casto ou promíscuo,
diz-me setembro, assume-te, de que és tu feito,
quem és, que hei-de esperar de ti,
e  tu, de mim, se nada vejo além da interrogação,
da dúvida e ambiguidade, não te vejo, setembro,
és invisível.

  

sábado, 5 de julho de 2014

Julho


A meio do ano,
quando o sol, suspenso no centro do céu,
inunda todos os lugares e recantos
afastando sombras, penumbras e carcomidas humidades,

quando o sol, o astro rei,
domina todos os elementos, e a terra, e eu,

e o tempo se imobiliza no presente,
vivemos-te, julho, finalmente.

Tanta espera, tanta demora, tantos anseios e receios,
tantos sonhos impossíveis, agora, aqui e em mim,
vencidos.

Que calma, que chilreante calma,
que verdura, que torpor, quantos aromas inebriantes,
são todos teus, julhos, apenas a ti te pertencem,
de natural direito,

Ou não fosses tu julho.

Pudesse eu ser-te, julho, prender-te no meu corpo,
e no meu horizonte,

tornarias indelével a marca da minha vida,
davas-lhe o sentido e a eternidade,
para que, um dia, quando eu chegasse ao fim,
pudesse partir contigo,
doravante um mês, um momento do devir,
banhando, ano após ano, os que cá ficaram,
os que, felizes e infelizes, realizam,
na carne, no corpo, no sabor dos sabores,
a tua paixão.

Pudesse eu ser-te, julho, prender-te na minha alma,
e na minha memória,

Seria, agora e para sempre, o mês dos meses,
o momento dos momentos.

sexta-feira, 7 de março de 2014

março


Meu amigo março,

Penso em ti, 
és água, 
gelo derretido, aquário transbordante, 
água que verte nas fontes, regatos, tanques e valetas,
respigas da terra farta de um inverno tão longo quanto húmido. 

Podes ser, na origem românica, senhor da guerra,
força não te falta, 
qual oceano - Respeita o mar, rapaz, respeita o mar! -
mas, 
para mim, és apenas água,
límpida, doce,
passante e vazante,
fonte da vida, do homem, da terra,
tudo moldas, e nada fazes.

Água.

Mergulho em março, neste ano de 2014 onde tudo é quadrado,
ao quadrado, superlativo de tudo o que houve e há-de vir
o ano da decisão,
mandasse eu nestas coisas, seria como antigamente, agora iniciava o ano,
na primavera, para os antípodas outono, é certo,
em qualquer caso, seria certamente o início,
nada se inicia em fevereiro, muito menos em janeiro,
só são os meses do resto do inverno, o tal,
que nunca mais acaba.

Macho, sem dúvida, mas não másculo,
temperamental, é certo, fértil nem tanto,
aguadeiro siamês,
límpido, visível e invisível, misterioso enigma...

Que nos reservas, março, nessas tuas possantes reservas de água,
futuro ou passado?

Vago como um indie hipster, não te vejo, não te sinto, cheiro ou pressinto,
aguardo-te, deslizando, flutuando, imergindo no teu âmago,
pelo menos, por um instante, vislumbro-te,
já percebi, 
és o líquido amniótico!

Como não haverias de ser difícil de entender?
Origem, proteção, multidimensionalidade e imensidão, 
vendo bem,
és bem o deus encubador, a tua voz, 
de tão compenetrante e trovosa,
a todos nos embala,
 sem nos tocar.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Janeiro


Olá janeiro, sê bem-vindo,
Mês primeiro, primordial,
Início da mudança, da interioridade, da aprendizagem.

Chegas, resoluto,
Fazendo crescer o dia em cada jorna que passa.

Armazenas a água, o musgo e o frio que há-de salvar a natureza,
tua mãe.

E, ao fim do primeiro dia,
És pai, descobres, compreendes, perdoas, sim, 
mas, endureces,
assim és, janeiro, e queres,
A tua vontade é indómita, imparável e irreversível,
Qual translação da terra...

Não terás o espólio de dezembro, teu pai,
conheceste a verdade mas esqueceste-a,
é e será sempre assim, cada ano é um novo,
ela habita em ti, no teu coração,
e não na tua memória.

Não és perdão, nem afeto, nem conquista ou criação.

És união.

Junta-te ao fluxo do devir, 
liberta-te,
nas palavras, nas conquistas, nos tesouros
na vivência real do momento ideal.

A marca necessita da mão, da força.

Emerge, janeiro, imparável,
Prenúncio das tempestades,
Inverno és, pois, não disfarces,
Não esperes mais um ano, janeiro,

Mostra-te e acontece.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Junho


Junho, bem-vindo!

Entra, invade, profusa, sê,
mês da fertilidade, do solstício, do verão.

Anda, junho, aquece,
gáudio da casa, do jardim, do coração.

Anuncia-te o vento, a verdura, a cigarra,
és som, luz e cheiro.
 
Não há sombra, bolor, mofo, humidade,  
sinusite, hérnia, artrite ou tosse.

Irrompes noite dentro, chamas a alvorada,
conquistas cada obra, ato, hiato e lapso.

Enches, junho,
és macho.

Respeito-te, reverencio-te, vences,
mas, atenção, não te venero!...

Por seres óbvio, brutal, teatral,
desnudas sem preconceito, cogitação ou hesitação,
arrumas em quatro tempos, és assim, brutal.

Eu, não sou assim,
sou março, setembro,
o início de qualquer coisa, 
uma consciência incessante.

Se eu fosse julho, seria como tu,
abriria a porta, despachava o serviço e,
no fim, deixaria saudade e suspiros.








sexta-feira, 20 de abril de 2012

Abril


 
Livrei-me,
finalmente,
daquele livro longo e ensonso,
do pó de um inverno anormalmente árido,
do medo de encarar as minhas tristezas,
de um mês de março que não o foi,
dos sapatos tortos e húmidos,
da necessidade de não ser eu mesmo, ou de o ser,
dos trinta anos que nunca tive,
de tornar pessoal o meu sofrimento,
do frio,
da penumbra,
 do clausura de um inverno interminável,
do receio de não conseguir viver e de pensarem mal de mim.

Abril,
saúdo-te,
romântico na tua revolução,
mês da ressureição,
da Queima do Judas,
de uma jornada sem noite,
da chuva soalheira,
da escrita e da leitura,
do romantismo,
 da concepção, geminação, fertilidade e implantação,
és o mês da retaliação.

Abril,
que força!
Sirvo-te diligente, sou teu,
és "a" de agosto, e contas,
não és mês por conta de outrém.
 
Traz-te a inevitável transladação
o quadrado completa-se,
fecha-se o perímetro da incerteza,
escreve-se uma marca, marca-se um golo, já tão perto do fim,
é o melhor de todos,
e não é tudo assim?



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eis a questão!

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