O vento uiva na rua deserta e o céu, ameaçador, avança carregado de nuvens.
O tique-taque soturno do relógio anuncia um inverno rigoroso
e o inevitável dia dos mortos...
Despem-se as árvores, fica a solidão.
Comungam-se, sordidamente, os ingredientes para uma tarde miserável, plena de inércia, recolhimento e apreensão,
vista pela distante fresta de um pedregoso mosteiro...
Embora granítico e musgoso, este não é o mês de outubro, não, ele não é assim, embora o pareça, pois embora viva do declínio, da crescente penumbra, do fim de verão e do encurtar dos dias, lentamente, suavemente, docemente, inspira-nos...
Olhem para os frascos cheios de cevada, de geleia e compota, o saco de castanhas e de batatas, o cobertor felpudo, o telhado arranjado, a lareira pronta a usar, as botas de sola grossa, o gorro, a terra regada e o televisor...
Outubro é aconchego, elo forte do ciclo anual, abraço do vento e frescura da aurora, traz a água da vida e nos torna elemento.
Catártico na sua sombra, de que sou um jumento, é o mês da mudança e do planeamento.
Bem vindo outubro a este testamento, pujante de louvores e de sentimento, mostra-te, eu mereço-te.
26-10-2011
Olá!
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
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